Página destinada a publicação de artigos relacionados ao comitê de ensino sobre patrimônio do ICOMOS.

A HISTÓRIA DA CONSTRUÇÃO E A FORMAÇÃO DE ARQUITETOS RESTAURADORES BRASILEIROS: NOTAS SOBRE A CONTRIBUIÇÃO DOS CURSOS DE ESPECIALIZAÇÃO ITALIANOS NAS DÉCADAS DE 70 E 80

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Pedro Murilo Gonçalves de Freitas

Regina Andrade Tirello

 

Este artigo sugere a reexão de aspectos pouco explorados relacionados ao desenvolvimento da cultura arquitetônica preservacionista no Brasil a partir dos anos 1970 decorrente do compartilhamento

cultural e cientíco de metodologias italianas de pesquisa, preservação e tratamento conservativo da arquitetura histórica. Neste período, em que cresceram a crítica e os estudos universitários no âmbito da compreensão das técnicas, processos, procedimentos e resultantes materiais dessas construções em território brasileiro, é pouco ressaltado o reconhecimento e o encorajamento à formação de quadros técnicos especializados no país e no exterior, em especial na Itália, com a presença de jovens arquitetos bolsistas. O contato com as discussões italianas sustentadas naqueles anos, ainda que de distintas liações e pouco uniforme, circuncreveram signicativas mudanças para a preservação dos bens culturais no Brasil determinando uma mais precisa aproximação à matéria das construções da arquitetura tradicional luso-brasileira. Com base nestas premissas e nas recentes denições epistemológicas da História da Construção, com vistas à ampliação dos nexos disciplinares que atualmente a conguram no Brasil, procura-se relevar o papel dos cursos de formação especializada no exterior, com grande auxo de prossionais em busca de qualicaçao técnica em restauro de monumentos visando novas abordagens de pesquisa e intervenção nos sistemas construtivos luso-brasileiros.

 

Palavras-chave: Restauração Arquitetônica; História da Construção; Formação de Arquitetos Especialistas.

ENSINO DE PROJETO E PRESERVAÇÃO: REFLEXÕES E PRÁTICAS DIDÁTICAS

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Maria Cristina Schicchi

 

Embora as práticas profissionais nas áreas de preservação, conservação e restauração tenham ocorrido desde o final da década de 1930, com a criação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional -IPHAN - e tenha se consolidado a partir do final da década de 1970, com a criação dos órgãos de preservação estaduais e municipais, os conteúdos referentes à preservação do patrimônio urbano e arquitetônico das cidades foram incorporados aos currículos dos cursos de arquitetura e urbanismo apenas a partir de 1996, após as discussões sobre a reestruturação curricular de 1994. 
Entretanto, não há, até o momento, uma definição em nível nacional dos conteúdos que devem ser ministrados nestas disciplinas no ensino de graduação, nem mesmo de nomenclaturas e a questão tem sido tratada com certa autonomia dentro dos currículos das escolas. Noções de teoria da restauração e de preservação de conjuntos históricos, há muito tempo já tratadas em nível de pós-graduação, história das técnicas construtivas, história da preservação no Brasil, são conteúdos que se alternam com exercícios de simulação de intervenções em edifícios ou áreas históricas, embora estas duas abordagens nem sempre estejam presentes nessa disciplina, nos cursos de arquitetura.
Desde 1997, estes conteúdos foram tratados em cursos de especialização e em trabalhos de pesquisa de Iniciação Científica orientados por mim, na PUC-Campinas, na atividade de TFG – Trabalho Final de Graduação e, a partir do ano de 2004, também por meio da disciplina Projeto e Patrimônio, ministrada no 3o ano do curso.
Portanto, esta comunicação é a tentativa de enumerar os problemas com que nos defrontamos ao tentar recortar, neste universo de conhecimentos, os elementos essenciais para a formação (generalista) do arquiteto, que lhe possibilite discernir com segurança o novo campo de problemas que se apresenta e a postura e os instrumentos adequados para sua solução.

 

Palavras-chave: reabilitação, preservação, ensino de projeto.

FORMAÇÃO PROFISSIONAL E INTERDISCPLINARIDADE NA PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO EDIFICADO

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Manoela Rossinetti Rufinoni

 

INVENTÁRIO ARQUITETÔNICO DA BAIXADA FLUMINENSE: A CONTRIBUIÇÃO DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO DA UNIVERSIDADE RURAL DO RIO DE JANEIRO 

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Julio Cesar Ribeiro Sampaio

 

UM CANTEIRO-ESCOLA NUM EDIFÍCIO DE RAMOS DE AZEVEDO: O ENSINO DE PROCESSO DE PROJETO DE RESTAURAÇÃO NA PRÁTICA

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Pedro Murilo Gonçalves de Freitas

Regina Andrade Tirello

 

Este artigo trata de experiências de caráter profissional e didático conduzidas em apoio ao desenvolvimento de projetos de restauração dos edifícios escolares do antigo Instituto Profissional Bento Quirino, projetados por Francisco de Paula Ramos de Azevedo em 1916, atualmente sob a guarda da Universidade Estadual de Campinas. Além de contribuir para futuros projetos de reocupação destes edifícios, os estudos se estendem no positivo estabelecimento de protocolos de análise de arquiteturas históricas similares no Estado de São Paulo. Discutindo questões relativas ao ensino da restauração arquitetônica nos cursos de Arquitetura e Urbanismo brasileiros, seus avanços e suas insuficiências, descrevem-se duas práticas interligadas de pesquisa, levantamento e avaliação técnica dessas edificações tombadas por órgãos preservacionistas que abrigaram o Colégio Técnico de Campinas por 47 anos. No texto são expostos procedimentos relacionados a viabilização e planejamento de obras de preservação de próprios da universidade de interesse histórico e cultural. Teve-se como produto a consolidação do curso “Laboratório de Restauração Arquitetônica: teoria e prática”, voltado ao aprofundamento de métodos operativos e para a investigação formal e material de preexistências sob o ponto de vista técnico e conservativo ministrado para estudantes de graduação e pós-graduação. 

 

Palavras-chave: Laranjeiras-Sergipe; ensino interdisciplinar; metodologias ativas; ruínas urbanas.

METODOLOGIAS ATIVAS COMO ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA PARA A APLICAÇÃO DA ARQUEOLOGIA DA ARQUITETURA NA RESTAURAÇÃO ARQUITETÔNICA NO BRASIL 

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Ton Ferreira

Pedro Murilo Gonçalves de Freitas

 

As abordagens metodológicas da arqueologia brasileira sobre a arquitetura sempre priorizaram as informações acerca das estruturas soterradas e a exumação do espólio a elas associadas. Durante o programa de recuperação de cidades históricas, denominado Monumenta, a falta de metodologias para o reconhecimento e a análise da materialidade construtiva histórica, aliada a um acelerado desenvolvimento imobiliário, ampliou o desaparecimento de parte do testemunho do hibridismo cultural do que hoje chamamos Brasil. O objetivo principal do presente artigo é demonstrar o processo de elaboração das oficinas que resultou num desenho metodológico para sanar as lacunas da atividade arqueológica brasileira no restauro da edificação histórica. Após análise das limitações das abordagens da arqueologia da arquitetura (AA) para pensar as edificações locais, aplicamos “metodologias ativas de ensino” para alunos de graduação em arqueologia e arquitetura, da Universidade Federal de Sergipe. Os resultados das intervenções nas ruínas da “Casa n. 3” em Laranjeiras demonstram que a aplicação da AA em contexto brasileiro requer adaptações, mas ainda se constitui em um eficiente instrumento para identificação e valorização da arquitetura histórica em processos de desaparecimento.

 


Palavras-chave: Laranjeiras-Sergipe; ensino interdisciplinar; metodologias ativas; ruínas urbanas.

DOCUMENTAÇÃO ARQUITETÔNICA EM CENTROS URBANOS HISTÓRICOS: EXPERIÊNCIAS DE ENSINO DE ARQUITETOS E URBANISTAS EM LARANJEIRAS/SE

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Pedro Murilo Gonçalves de Freitas

 

Este artigo tem por objetivo refletir sobre a documentação arquitetônica como procedimento de revisão crítica de parâmetros de identificação e percepção de edifícios e centros urbanos históricos brasileiros. Como estudo de caso, descreve-se sua aplicação preliminar em disciplinas eletivas do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Sergipe, a fim de contribuir para o debate sobre a finalidade da documentação arquitetônica na educação contemporânea de arquitetos e urbanistas. 

 

 

Palavras-chave: Documentação arquitetônica; Reconhecimento de bens culturais; Ensino de projeto de restauração arquitetônica; Laranjeiras/SE.

ARCHITECTURAL CONSERSERVATION IN BRAZILIAN ARCHITECTURE AND URBAN DESIGN UNDERGRADUATION COURSES: THE TEACHING DISARCULATIONS BETWEEN THEORY AND PROJECT PRACTICE 

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Pedro Murilo Gonçalves de Freitas

Regina Andrade Tirello

 

In the last two decades, discussions and methods of architectural conservation design have become more and more available in Brazil. However, in spite of this aparent development, heritage preservation still faces a minor impact over the general curricula of Brazilian schools of architecture and urban design, provoking specific disarticulations of theory and practice in built heritage conservation education. This article aims to discuss these issues based on contemporary studies on higher education and recent recommedations proposed for architectural conservation education, addressing the need for awareness of preservation as a potential field for architectural creation.

 

 

Keywords: Architectural Conservation; Architectural Design Teaching; Conservation Project; Architectural Teaching Disciplines; Brazilian Architectural Conservation Teaching; Retrospective Techniques

FORMAR E QUESTIONAR? OS CURSOS DE ESPECIALIZAÇÃO EM PATRIMÔNIO CULTURAL NA DÉCADA DE 1970

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Flávia Brito do Nascimento

 

Este artigo tem por objetivo discutir os cursos de pós-graduação em patrimônio realizados na década de 1970, como resultado de políticas educacionais e culturais do Ministério da Educação e Cultura e do Ministério do Planejamento. Em 1974, 1976 e 1978 realizaram-se três cursos, em São Paulo, Pernambuco e Minas Gerais, respectivamente, estruturados como demanda do Ministério da Educação e Cultura e do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) nos Encontros de Governadores de 1970 e 1971. A partir do Programa de Cidades Históricas (PCH), a demanda por profissionais especializados aumentou e o fomento aos cursos tornou-se responsabilidade do Iphan, em conjunto com universidades federais. Organizaram-se os Cursos de Restauração e Conservação de Monumentos e Conjuntos Históricos, os quais foram um importante fórum de debates sobre a prática e a teoria da preservação na década de 1970. Congregando professores e alunos com vivências e práticas diversas, eram ponto de encontro dos especialistas que tiveram nos cursos (aulas expositivas e práticas, viagens e bancas de defesa dos trabalhos finais) espaço para diálogo sobre as muitas práticas de preservação daqueles anos. Por meio de depoimentos orais, fontes primárias (documentos escritos) e bibliografia pertinente, acompanharemos as suas motivações, estruturas, agentes sociais, programas de aulas e debates.

 


Palavras-chave: Programa de Cidades Históricas - PCH. Cursos de Restauração. Patrimônio Cultural.

REFERÊNCIAS TEÓRICAS E SEUS REFLEXOS NAS PRÁTICAS DO CAMPO DA PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO

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Eneida de Almeida

 

O trabalho propõe o estudo da interação entre conceitos fundamentais da preservação do patrimônio edificado e as práticas de restauração vigentes na atualidade. O relato aborda o desenvolvimento do campo disciplinar, recorrendo a reconhecidas referências teóricas da área e procurando explorar as articulações entre as discussões conceituais e as experiências operacionais, a partir da aproximação entre os ambientes culturais da Itália e do Brasil.

 

 

Palavras-chave: Documentação, Reconhecimento histórico-arquitetônico, Quadrilátero Central

O OLHAR DO ESTUDANTE DE ARQUITETURA SOBRE O PATRIMÔNIO: PROJETO DE ATIVIDADE PEDAGÓGICA DE RECONHECIMENTO HISTÓRICO-ARQUITETÔNICO DO QUADRILÁTERO CENTRAL EM RIBEIRÃO PRETO (SP)

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Ana Teresa Cirigliano Vilela
Marcelo Carlucci 

 

O chamado Quadrilátero Central constitui-se como uma área delimitada do tecido urbano da cidade de Ribeirão Preto (SP) que concentra uma quantidade significativa de edifícios de interesse patrimonial públicos e privados. É lá onde estão a Prefeitura Municipal, o Teatro Pedro II, a Catedral, os palacetes ecléticos e os grupos escolares do início do século XX, além de inúmeros exemplares do Art Déco, Protomodernismo e Moderno. Diante da existência de um discurso veiculado pela mídia e outras instâncias culturais locais sobre a importância desses edifícios de maior escala e prestígio social, alguns deles já tombados, propusemos como projeto de pesquisa universitária um trabalho de reconhecimento da totalidade das edificações construídas no Quadrilátero Central, inclusive e, sobretudo, as residências mais modestas e os edifícios comerciais menos imponentes. A proposta foi recebida pelos estudantes como instigante, pois lhes pareceu difícil entender que “arquiteturas menores”, imóveis produzidos por “anônimos” (mestres-de-obras, pedreiros e práticos-licenciados) possam ser objeto de estudo e preservação, ainda que a significação cultural das obras ditas modestas seja considerada desde a Carta de Veneza de 1964. O projeto foi dividido em 3 etapas: varredura fotográfica, cadastramento e banco de dados. O recorte territorial de estudo foi dividido em 10 subáreas distribuídas entre os 30 alunos envolvidos na primeira etapa, que consistiu no levantamento fotográfico das faces dos 187 quarteirões do Quadrilátero Central. A partir do banco de fotos, na segunda etapa, foram selecionados os imóveis com potencial interesse histórico e arquitetônico, utilizando-se como critérios, inicialmente, aspectos formais, materiais e estéticos. Por meio deste exercício, os alunos foram instigados (e ensinados) a olhar para as edificações existentes, independentemente de tipologias ou datações. Os imóveis selecionados foram cadastrados em fichas baseadas no modelo adotado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, com dados referentes à localização, grau de proteção (se existente), e fotografias externas. Foram também levantados os números dos processos segundo arquivamento municipal, de modo a possibilitar o desenvolvimento da última etapa, em andamento, que consistiu na consulta e reprodução fotográfica dos projetos arquitetônicos originais e de reformas das edificações selecionadas. Os imóveis então sendo mapeados em plataforma CAD e identificados de forma que os documentos e informações levantadas até então possam ser associados e assim compor um banco de dados digital, acessível a toda população. Este projeto se propõe a ampliar o reconhecimento da arquitetura histórica para além do patrimônio tombado; a documentar sistematicamente a produção arquitetônica do Quadrilátero Central; a entender a formação e transformação da área central de Ribeirão Preto e a ensinar aos alunos a olhar para a paisagem, seja ela antiga ou recente, histórica ou não.

 


Palavras-chave: Documentação, Reconhecimento histórico-arquitetônico, Quadrilátero Central

REPRESENTAÇÃO NO ENSINO DE PATRIMÔNIO. ABORDAGEM CONCEITUAL E METODOLÓGICA APLICADA NO CAMPUS DE GOIABEIRAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO - BRASIL 

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Renata Hemanny de Almeida

 

Esse artigo mostra os resultados de uma proposição conceitual e metodológica, aplicada em disciplina acadêmica, “Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural”, do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Brasil. Fomentada pela superação da dicotomia conservação-desenvolvimento e pelo alargamento conceitual do patrimônio à noção de patrimônio territorial, que identifica não apenas um patrimônio em escalas geográficas de maior abrangência, como sua lógica processual. Uma das problemáticas expostas consiste na segmentação da tríade temática Patrimônio-Ensino-Projeto. Para sua superação, e por meio de uma metodologia empírico- qualitativa, embasada na abordagem da Escola Territorialista Italiana, faz-se uma experiência de envolvimento proativo, na qual os discentes são estimulados a trabalhar a representação enquanto método de reconhecimento da arquitetura de valor patrimonial e de interpretação de área de preexistência crítica, o Campus Universitário de Goiabeiras da UFES. Divide-se em três etapas: a) análise, por intermédio de um pré-inventário, onde se identifica, classifica e categoriza os bens de valor do campus; b) síntese, onde os mapeamentos anteriores são postos em confronto e são identificadas camadas do patrimônio territorial (física, construída e antrópica), servindo de base à definição de unidades de paisagem, sob as quais se interpretam diacronicamente os valores e os recursos potenciais do patrimônio territorial; c) experiência projetual, fundamentada a partir de uma interpretação crítica. A experiência resulta na tomada de consciência da potência transformadora da representação do patrimônio territorial, não apenas enquanto documento, mas instrumento ativo de interpretação, reconhecimento e análise, potencializando ações projetuais integradas.

 

 

 

Palavras-chaves Patrimônio, ensino, território, metodologia, planejamento territorial

 

EDUCAÇÃO PATRIMONIAL - FORMAÇÃO DOCENTE - TEMAS PARA UMA PROPOSTA 

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Sylvio Arnoldo Dick Jantzen 

ENSINO, PROJETO E PATRIMÔNIO CULTURAL

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Carina Mendes dos Santos Melo 

A proposta deste artigo é trazer reflexões acerca do ensino de projeto em monumentos e sítios de valor histórico cultural. No Brasil, a valorização da ação de proteção e conservação do patrimônio edificado resultou, nos últimos anos, na obrigatoriedade dentro dos currículos dos cursos de arquitetura de uma área temática denominada genericamente de Técnicas Retrospectivas. Esta obrigatoriedade vem sendo traduzida por diferentes disciplinas da grade curricular das escolas de arquitetura e urbanismo brasileiras. No entanto o foco aqui são as disciplinas de projeto, no entendimento do ato projetual como momento síntese, de convergência de aprendizados, sendo fundamental que o conhecimento desse patrimônio cultural tenha presença neste processo. Conhecimento pensado de forma alargada, no sentido de conhecer as características dessa linguagem comum do patrimônio arquitetônico dos países de língua portuguesa.

 

 


Palavras-Chave: Ensino; Projeto; Patrimônio Cultural; Linguagem Arquitetônica; Técnicas Retrospectivas.

 

REFLEXÕES SOBRE AS "TÉCNICAS RETROSPECTIVAS" NOS CURSOS BRASILEIROS DE GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA E URBANISMO

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Mônica Cristina Henriques Leite Olender

O presente artigo se dedica a analisar algumas questões relacionadas à disciplina Técnicas Retrospectivas, apontada pelo Ministério da Educação como aquela responsável por abarcar, nos cursos de graduação em Arquitetura e Urbanismo brasileiros, os temas relativos à preservação do patrimônio histórico-cultural. Essa disciplina, como método e matéria, vem sendo alvo de estudos mais sistemáticos no campo acadêmico desde 2012, mas a partir do ponto de vista quase que exclusivo dos resultados projetuais (intervenções propriamente ditas) nas pré-existências. Se os resultados dos projetos arquitetônicos e urbanísticos de nossos profissionais não têm respondido adequadamente às demandas de nossas sociedades, isso sedeve à deficiência pedagógica que envolve a disciplina, mas, principalmente, a uma possível crise no próprio campo da Arquitetura e Urbanismo, a partir do momento em que há um nítido afastamento de alunos e profissionais de experiências com e nas cidades, pautado por uma debilidade no entendimento e estruturação das disciplinas de história e teoria, do qual as Técnicas Retrospectivas fazem parte. A meu ver, várias das respostas que estamos procurando para mudar esse cenário não estão no campo da Arquitetura e Urbanismo, mas no da Educação vista sob a ótica da liberdade e da diferença.

 

 


Palavras-Chave: Educação; Arquitetura e Urbanismo;Técnicas Retrospectiva; Experiência; Diferença.

 

FORMAÇÃO DO ARQUITETO E URBANISTA PARA A PRESERVAÇÃO DE ÁREAS E EDIFÍCIOS DE VALOR PATRIMONIAL: DIÁLOGOS ENTRE A TEORIA E O EXERCÍCIO PROJETUAL

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Monique Lessa Vieira Olimpio

O presente trabalho visa elaborar uma matriz de conhecimentos essenciais, que promova a capacitação do estudante de Arquitetura e Urbanismo no Brasil para a prática projetual em áreas e edifícios de interesse patrimonial. Acredita-se que é necessária uma constante discussão sobre perfis e padrões que assegurem a qualificação do profissional – arquiteto e urbanista – à altura dos desafios sociais, culturais e econômicos vivenciados atualmente. Entres esses desafios, destaca-se, neste trabalho, a questão da conservação de uma preexistência de valor patrimonial. O objeto de estudo desta pesquisa corresponde a uma análise do ensino da preservação patrimonial (no âmbito dos cursos de graduação em Arquitetura e Urbanismo) e à construção de um suporte teórico-metodológico para a formação dos futuros profissionais (no âmbito da graduação) que venham a desenvolver projetos de intervenção arquitetônica em edifícios e áreas de valor patrimonial. Parte-se da premissa que o ensino de Arquitetura e Urbanismo só possibilitará uma formação profissional que revele competências e habilidades para a preservação do patrimônio edificado mediante uma clara relação entre aprofundamento teórico e exercício projetual. Logo, para o alcance do objetivo, foram definidas duas estratégias de pesquisa: 

 

1) pesquisa bibliográfica sobre temas relacionados à preservação e à intervenção arquitetônica em edifícios e áreas de reconhecido valor patrimonial, destacando alguns dos principais modelos teórico-operativos, fruto de anos de reflexão;

 

2) pesquisa empírica (estudos de casos), que propõe investigar e analisar criticamente como se dá o processo de ensino-aprendizagem para preservação patrimonial nos cursos de Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Brasil, e na Università degli Studi “Gabriele d’Annunzio” di Chieti-Pescara (Ud’A), na Itália. A matriz proposta parte da reflexão teórica, das análises dos estudos de caso e da sua validação por meio de professores especialistas na temática e foi definida com base em cinco perguntas fundamentais: “Por que preservar?”, “Para quem preservar”, “O que preservar?”, “Como preservar?” e “Estou preservando?”, todas relacionadas a princípios teórico-operativos que influenciam diretamente a fase propositiva do projeto.

 

 

 

Palavras-chave: Projeto de intervenção arquitetônica; Formação profissional; Matriz de conhecimentos; Experiências no Brasil e Itália.

 

A FORMAÇÃO CRÍTICA NO ENSINO DE PROJETO NO CAMPO DO PATRIMÔNIO CULTURAL

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Prof. Dr. Flávio de Lemos Carsalade

O campo do Patrimônio Cultural tem se apresentado cada vez mais interessante ao estudante de arquitetura, que nele vê possibilidades de atuação muito instigantes, quer pelas possibilidades de mercado de trabalho, quer pelo apelo cultural ou pelos desafios que ele apresenta. Da mesma forma que o projeto de intervenção em contextos notáveis ou protegidos é um caso especial do projeto arquitetônico, com abordagens específicas e um rol de habilidades e competências também especial, o seu ensino enseja certas especialidades que não se restringem apenas a um leque de informações a mais ou às informações dadas isoladamente nas disciplinas de "técnicas retrospectivas" conforme exigência das diretrizes curriculares.

Em um primeiro exame, entretanto, a questão básica quanto ao projeto arquitetônico no campo patrimonial parece ser a mesma dos demais projetos arquitetônicos. Inicialmente, se trata sempre de intervenções em realidades pré-existentes, e o respeito ao contexto onde o problema arquitetural se insere e as considerações quanto a modos de intervir nessa realidade são fundamentais em um caso ou outro. A ideia de tabula rasa, desconhecimento, proposital ou não dos fatores não só territoriais e locacionais, mas também socioeconômicos e culturais que condicionam ou determinam o projeto não é mais aceitável. O projeto arquitetônico, como o compreendemos hoje, é, na realidade, uma resposta do profissional a um problema físico-espacial que a sociedade lhe apresenta e que espera ser respondido em sua totalidade sob pena de uma parcialidade ineficaz ou, na pior das hipóteses, de sua inviabilidade. A expressão projetual é a síntese, no espaço, das soluções aos problemas trazidos pelas necessidades das instituições dentro da vida, isto é, profundamente ligadas aos limites da realidade às oportunidades, ameaças, potencialidades e outros fatores que são ao mesmo tempo, estimuladores da criatividade e coercitivos de soluções. Ademais, habilidade comum tanto ao projeto convencional quanto ao projeto no campo patrimonial, são a capacidade crítica e a cultura arquitetônica, duas vertentes do saber que sempre devem andar juntas para que a cultura não seja apenas informação, mas se transforme em efetiva competência. Da mesma forma que a cultura arquitetônica cria um repertório de possibilidades, a crítica lhes indica a pertinência e ambas são necessárias para o fazer profissional. Falamos aqui de uma cultura e uma crítica que sejam não apenas de um acervo de conhecimento de obras e soluções, mas na capacidade de compreensão dos fundamentos arquiteturais[1] e do entendimento de como se processam as articulações dos elementos projetados. No caso dos projetos em conjuntos notáveis protegidos, sejam eles espaços urbanos ou edifícios, um entendimento da ordem e linguagem arquitetônicas pré-existentes torna-se fundamental. Convém notar que nos casos de lotes vagos ou de novos espaços urbanos, as articulações pré-existentes se referem ao contexto onde se insere a nova obra, mas no caso patrimonial, elas se encontram estabelecidas no próprio interior da intervenção e não apenas envoltória a ela, a influenciar as soluções desde fora.

Essas duas considerações sobre a natureza da tarefa arquitetônica em um e outro caso apontam as semelhanças, mas também já indicam caminhos sutis que as diferenciam. Essa sutileza talvez seja também o que parece distinguir outros fatores que são comuns aos projetos nos dois campos, mas que aparecem com força mais incisiva nas intervenções no patrimônio. A questão do tempo, é uma delas. Se não convém desconsideramos o tempo em projetos convencionais, naqueles que atinem ao patrimônio as considerações temporais são de outra ordem, afinal, um dos temas de maior dificuldade operacional no campo do patrimônio histórico-cultural diz respeito às intervenções que hoje fazemos no objeto de preservação. A princípio, pode-se questionar que se, afinal de contas, o bem histórico é um objeto que nos chega do passado, por que nele intervir ou modificá-lo?  Para responder a esta pergunta temos que compreender alguns pontos importantes, sabendo que o bem patrimonial é portador de uma mensagem do passado, mas que só tem sentido se for usufruído no presente.

A partir dessa constatação inicial, temos que compreender que a fruição do bem cultural a que nos referimos aqui não é apenas a de uma observação casual como se ele fosse apenas uma curiosidade vinda de outros tempos. Hans Georg Gadamer já nos indicava em sua hermenêutica de base fenomenológica que a função da arquitetura é "mediar o passado e o presente", na medida em que sua duração extrapola o tempo de uma geração e atinge diferentes tempos com diferentes necessidades e diferentes leituras do objeto arquitetônico. Na realidade, esse bem cultural, a par de sua formulação vinculada a determinadas necessidades de uso, assume também uma função social que é a de orientar as populações e o cidadão no tempo e no espaço, colocando a cada um de nós como participes de um grupo comunitário que compartilha de uma história comum e de um lugar próprio no mundo, conferindo-nos a sensação de pertencimento. Essa função social se completa na sua função de orientação exercida quando percorremos as nossas cidades, através dos marcos arquitetônicos, por exemplo, ou que nos referenciam quando fruímos a nossa cultura ou quando compartilhamos nossa memória comum. Faz parte ainda dessa função social a consolidação de uma identidade coletiva, a qual faz reconhecer-nos como elos de uma comunidade e que estimula nossos laços afetivos e de cidadania. essas funções apontam para uma atitude projetual que muitas vezes não é compreendida pelo projetista e que, muitas vezes em sala de aula é reafirmada pelos professores que sacralizam o bem arquitetônico, promovendo a sua mumificação, o que vai na contramão da suas funções social, identitária ou de orientação, posto que quanto mais o bem servir à vida e com ela se integrar, mais essas funções serão exercidas.Portanto, para que o bem patrimonial possa exercer sua função mais ampla, ele tem que ser acessível e, para tanto, deve estar recuperado em sua potência.

É claro que ao preparamos o bem para sua fruição presente, na recuperação de sua potência, estamos nele intervindo. É este o momento em que surgem as perguntas sobre como fazermos essa intervenção e quais são os seus limites para que o bem não perca seu potencial de ligação com o passado e com a cultura. Estamos nos aproximando, portanto, de uma questão sobretudo ética porque se a preservação do patrimônio está fundada no respeito à pré-existência ela também diz respeito ao futuro, ou seja, versa sobre a nossa capacidade de ser hoje, mas também na de possibilitar as várias existências vindouras. Vamos examinar seus aspectos éticos, portanto, primeiro entendendo as dualidades que lhe são afetas e depois procurando entender como elas refletem no campo da preservação, procurando associá-las a práticas projetuais mais usuais.